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DOIS NOVOS ELEMENTOS ACABAM DE SER BATIZADOS

Posted by o nerd da quimica on January 5, 2012 at 6:20 AM

Veja mais sobre estes elementos em:

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- ENFIM RECONHECIDOS! 

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Ver também:

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COMO SE LIGAM OS ELEMENTOS QUÍMICOS

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Novidade: os dois novos elementos da tabela (já citados numa página deste site) já receberam seus nomes e símbolos definitivos: o ununquádio (Uuq, elemento 114) vai se chamar Fleróvio (Fl) e o ununéxio (Uuh, elemento 116) irá se chamar Livermório (Lv). Esses nomes foram dados após um acordo entre os EUA e a Rússia, onde os elementos foram produzidos: os russos batizariam o 114 e os americanos batizariam o 116. Os nomes foram dados em homenagem aos laboratórios onde foram produzidos.

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--> HISTÓRIA:

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O elemento 114 foi criado pela primeira vez pelos cientistas em Dubna, na Rússia, e relatado informalmente pelos meios de comunicação. Eles usaram aparentemente os isótopos provenientes do Lawrence Livermore National Laboratory, dos Estados Unidos. A mesma equipe produziu um outro isótopo de Uuq três meses mais tarde. Desde então, não foi mais sintetizado. O elemento foi anexado à tabela periódica sob o nome provisório de Ununquadium (do latim Un = um, quad = 4; "um-um-quatro"), permanecendo como um elemento não reconhecido até junho do ano passado (2011), juntamente com os elementos 113, 115, 117 e 118, que ainda permanecem indefinidos. O elemento 116 surgiu como um dos produtos do decaimento radioativo do 114, no mesmo laboratório em que o 114 foi criado e também foi sintetizado mais tarde em uma reação de fusão nuclear entre um átomo de cálcio (Ca, número atômico = 20) e um de cúrio (Cm, nº atômico = 96). Foi anexado informalmente sob o nome temporário de Ununhexium (do latim un = 1 e hex = 6; "um-um-seis"), até ser reconhecido juntamente com o 114.

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Os dois elementos permaneceram como casos pendentes por mais de uma década, aparecendo informalmente na tabela, pois não foram reconhecidos como elementos confirmados até junho de 2011 quando a IUPAC reconheceu que seu processo de síntese era válido e eles foram incorporados definitivamente na Tabela Periódica. Até então o último elemento reconhecido e batizado havia sido o elemento 112, o Copernício. Os novos elementos permaneceram sem nome até dezembro de 2011, quando seus nomes foram divulgados na mídia.

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Ilustração artística sobre o ununquádio (Fleróvio), um dos elementos que formam a chamada "ilha de estabilidade", região da tabela periódica onde os elementos superpesados seriam mais estáveis.

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Finalmente, em 5 de dezembro de 2011, os elementos foram nomeados. A proposta de nomeação seguiu um acordo firmado entre os EUA e a Rússia: os russos batizariam o 114 e os americanos batizariam o 116. O nome do 114, Fleróvio, foi dado em homenagem ao laboratório onde foi descoberto em Dubna, o Laboratório Flerov, fundado pelo físico nuclear Georgy Nikolayevich Flyorov. Embora também tenha sido descoberto no laboratório russo, o elemento 116 deve homenagear o laboratório norte-americano de onde provavelmente foram adquiridos os isótopos usados na produção dos elementos. Ele foi nomeado em homenagem ao laboratório nacional Lawrence Livermore, a partir do qual também foi batizado o elemento químico Laurêncio.

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Acelerador de partículas do laboratório Flerov, em Dubna, na Rússia.

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Vista aérea do laboratório americano Lawrence Livermore.

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Embora os nomes e símbolos dos elementos tenham sido reconhecidos pela IUPAC, há algumas controvérsias sobre a nomeação. Embora o recém-divulgado comunicado da IUPAC afaste essa possibilidade, em março do ano passado fontes da imprensa russa disseram que o elemento 116 também seria batizado pelos russos e ganharia o nome de Moscovium (Moscóvio), já que o Laboratório Flerov fica no distrito de Moscou. Também há algumas reclamações acerca do caráter repetitivo das nomeações: o nome do elemento 116, Livermório, foi dado em homenagem ao mesmo laboratório que também nomeou o elemento Laurêncio (Lr,103). Se a IUPAC não aceitar as propostas de mudança de nome, o nome Moscóvio talvez será usado para batizar outro elemento que ainda será reconhecido no futuro, provavelmente o Ununpêntio (Uup, elemento 115).

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--> QUÍMICA EXTRAPOLADA:

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Esses elementos são muito instáveis e radioativos e foram produzidos em quantidades pequenas demais para que suas propriedades químicas sejam investigadas, mas pode-se presumir algumas propriedades baseadas em sua posição na tabela e nas tendências observadas à medida que se desce por uma família na tabela periódica.

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O Fleróvio (Fl) é provavelmente um metal pesado, mole e com ponto de fusão baixo, muito similar ao chumbo, porém radioativo. Supõe-se que suas propriedades químicas e físicas sejam similares às do chumbo: seria um metal denso, sólido (com ponto de fusão baixo), relativamente mole, com estados de oxidação +2 e +4 (sendo que o +2 seria mais estável). Seus haletos e seu sulfato no estado +2 (FlCl2, FlSO4 etc) seriam pouco solúveis em água, assim como os do chumbo, seu "parente" mais próximo. As propriedades citadas foram presumidas a partir da observação das tendências que se observa à medida que se desce pela família 4A, à qual pertence este elemento.

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Entretanto, há algumas evidências de que sua química será fortemente afetada por efeitos quânticos relativísticos (veja também: química quântica)  que afetam especialmente átomos pesados com muitos elétrons. Sua química poderá apresentar algumas anomalias que não são observadas nos outros elementos da família. Cálculos sugerem que o átomo de Fleróvio poderá apresentar algumas características similares às dos gases nobres, fazendo com que o elemento seja relativamente pouco reativo e suas ligações com outros átomos numa amostra do metal sejam mais fracas que o esperado, abaixando consideravelmente seu ponto de fusão. Algo similar acontece com o mercúrio (Hg), que apresenta diversas anomalias físicas e químicas, incluindo o próprio fato de ele ser líquido, apresentar compostos com nox +1 incomuns (tais como o íon duplo Hg2), etc.

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O Livermório (Lv) seria um metal ou semimetal cinzento ou prateado, quebradiço, mau condutor de eletricidade, com ponto de fusão baixo e radioativo. Apresentaria propriedades químicas similares às do polônio ou do telúrio: formaria compostos covalentes (com duas ligações) apresentando estados de oxidação -2, +2, +4 e +6, sendo que os estados de oxidação mais estáveis seriam o +2 e o +4. Alguns possíveis compostos importantes incluiriam os óxidos possivelmente anfóteros LvO2 e LvO3 e os haletos voláteis LvCl2, LvCl4, LvF6, etc. Estes compostos seriam tóxicos e apresentariam odor muito desagradável. Estas possíveis propriedades foram baseadas na extrapolação das tendências observadas à medida que se desce pela família 6A, à qual pertence o elemento.

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Sua química poderá também ser muito influenciada pelos efeitos relativísticos, gerando características anormais na química do elemento. O estado de oxidação +2 será mais estável que o previsto, o que está relacionado diretamente com as anormalidades na química do Fleróvio, que se comportará em alguns casos como um "falso gás nobre" de forma similar ao mercúrio. Os efeitos quânticos relativísticos são de natureza muito complexa e seu mecanismo não será explicado nesta seção. Ele afeta os elementos mais pesados da Tabela Periódica, especialmente os do lado direito da tabela. A química de elementos como o ouro (Au), mercúrio (Hg) e dos actinídeos é fortemente afetada por esses efeitos e apresentam uma série de anomalias que fogem bastante ao padrão previsto (tais como a cor amarela do ouro, o estado líquido do mercúrio, a inércia química dos átomos de Hg isolados no estado gasoso (que se comportam como um "falso gás nobre"), a estabilidade incomum do íon uranila ( , etc) e durante muito tempo intrigaram cientistas do mundo inteiro.

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O NERD DA QUÍMICA, Nova Venécia - ES

Categories: curiosidades

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