O Nerd da Quimica

Blog

ENFIM, O UNUNSEPTIO.

Posted by o nerd da quimica on March 22, 2012 at 11:00 AM

.

Ver também:

DOIS NOVOS ELEMENTOS ACABAM DE SER BATIZADOS

.

Tabela Periódica da Wikipédia, destacando a posição do elemento 117, o Ununséptio. Repare que a quadrícula correspondente ao elemento está em branco e seu símbolo e número atômico se encontram entre parênteses: até a data, este elemento não havia sido descoberto ainda.

.

Repare também a quadrícula vazia neste exemplo.

.

Até abril de 2010, o elemento 117, o Ununséptio (Uus), era um elemento teórico que ainda não havia sido descoberto. Figurava informalmente entre os elementos artificiais em algumas tabelas, porém seu quadrado estava vazio ou em branco, com o símbolo do elemento entre parênteses. Ele estava lá só para fechar o buraco, pois ainda não havia sido descoberto. Mas recentemente ele foi enfim produzido, mas falta ainda ser reconhecido e batizado com seu nome definitivo pela IUPAC.

.

Átomo de ununséptio.

.

Este será o primeiro não-metal do período 7, provavelmente com algumas características similares às do astatínio, o elemento situado logo acima. Entretanto, o próprio astatínio é quimicamente pouco conhecido, por ser muito radioativo e extremamente raro (ele é considerado o elemento mais raro do mundo!), o que faz com que as propriedades do Uus sejam um pouco difíceis de prever com precisão.

.

--> HISTÓRIA:

.

O Uus (Ununséptio, nome temporário estipulado pela IUPAC; do latim un = 1, sept = 7; "um-um-sete")  foi sintetizado pela primeira vez em abril de 2010, no Laboratório Flerov em Moscou, na Rússia (o mesmo que criou o Fleróvio (Fl), elemento 114). Eles anunciaram que conseguiram detectar a rota do decaimento radioativo de um átomo com número atômico 117. Ele poderia ter sido criado antes, porém era muito difícil pois os cientistas precisavam de um alvo de berquélio - 249, que era muito difícil de obter.

.

Processo de obtenção do ununséptio: núcleos de cálcio - 48 são lançados contra um alvo de berquélio - 249. Ocorre um processo de fusão nuclear. Os átomos de Uus resultantes são detectados no detector do final deste circuito, onde é medida a massa do átomo, sua carga nuclear, etc. Os átomos de Uus têm uma vida muito curta: persistem apenas por algumas frações de segundo.

.

O elemento foi sintetizado ao colidir um alvo de Berquélio - 249 com íons de cálcio, sendo obtido 6 átomos de ununséptio:

.

.

Estes átomos sofreram sucessivos decaimentos radioativos  liberando partículas alfa, formando primeiro átomos de ununpêntio (Uup, 115), depois unúntrio (Uut, 113) e depois rontgênio (Rg, 111), que sofreu fissão espontânea em dois núcleos mais leves. Alguns átomos continuaram o decaimento até formar dúbnio (Db, 105), sofrendo então a fissão espontânea.

.

Um acelerador de partículas, onde elementos superpesados podem ser sintetizados por colisões entre átomos, ocasionando reações de fusão nuclear.

.

A equipe de cientistas responsáveis pela produção do elemento publicou um artigo científico em abril de 2010 (primeiros resultados foram apresentados em janeiro de 2010) que seis átomos de isótopos vizinhos 294Uus (um átomo) e 293Uus (cinco átomos) foram detectados. O isótopo mais pesado decaiu pela emissão sucessiva de seis partículas alfa, formando o novo isótopo 270Db, o que foram submetidos a fissão espontânea aparente. Por outro lado, o mesmo isótopo também decaiu pela emissão de apenas três partículas alfa, produzindo 281Rg, que foram submetidos a fissão espontânea.

.

--> QUÍMICA EXTRAPOLADA:

.

Por ser produzido muito recentemente e por existirem pouquíssimos átomos deste elemento, ainda não se conhece seus compostos. Também, por ser extremamente radioativo, com uma vida média de poucos segundos, não será possível isolar este elemento em quantidades suficientes para preparar seus compostos com nossa tecnologia atual, mas pode-se prever algumas características deste elemento.

.

O ununséptio é o mais novo elemento da família dos halogênios (família 7A). (Imagem: O Super Anfonídeo  (história em quadrinhos)).

.

Julgando pela sua posição na Tabela Periódica, é possível prever algumas supostas propriedades químicas e físicas deste elemento: será provavelmente um sólido não-metálico quebradiço de cor escura, mau condutor de calor e eletricidade, formado por moléculas diatômicas, fortemente radioativo e muito instável. Ele é um halogênio, portanto se comportará essencialmente como um não-metal relativamente eletronegativo, apresentando tendência a formar ânions com carga -1 (Uus(-)). Suas propriedades químicas serão provavelmente similares às do astatínio ou do iodo, elementos próximos e da mesma família. Ele poderá formar compostos nos quais apresentará estados de oxidação -1, +1, +3, +5 e talvez +7. Os estados de oxidação mais estáveis serão provavelmente o +3 e o +5 em compostos covalentes, enquanto o estado -1, característico da família 7A, será estável, porém redutor. O nox +7 será um forte agente oxidante, e, se for acessível, apenas o oxigênio e/ou o flúor poderão trazer o elemento a este estado de oxidação, na forma de compostos como o UusF7, UusO3F, NaUusO4, H5UusO6, e talvez o óxido explosivo e muito oxidante Uus2O7. O composto do elemento com hidrogênio, HUus, será provavelmente um ácido muito forte, porém um forte agente redutor. Como todo halogênio, espera-se que o ununséptio elementar exista na forma de moléculas diatômicas Uus2. A química deste elemento será fortemente influenciada pela possibilidade de sofrer auto-radiólise, ou seja, decomposição dos compostos do elemento pelos efeitos de sua própria radiação.

.

Há evidências de que sua química seja influenciada pelos efeitos quânticos relativísticos, como deve ocorrer com o Fleróvio e o Livermório. Estes efeitos desestabilizariam a camada de valência completa do ânion do ununséptio, Uus(-), fazendo com que ele seja menos estável quimicamente. Também, o estado +3 seria mais estável que o esperado e seus compostos com este nox teriam características de compostos iônicos, bem diferente do estado +3 dos outros halogênios, que só ocorrem quando eles se ligam ao oxigênio ou flúor (no caso do iodo, também ao cloro) e são oxidantes e completamente covalentes na maioria dos casos. Os íons livres X(+3) dos halogênios não são estáveis. Apenas é observado no iodo (pouco estável) no composto pouco comum I4O5 (I(+3)(IO3(-))3) e especula-se que seja também pouco estável, porém relativamente comum, no astatínio. O íon Uus(+3) livre seria relativamente estável, apresentando uma camada de valência com 4 elétrons, configuração eletrônica de "falso gás nobre" estável similar à do átomo neutro de Fleróvio. Esta é uma das anomalias que sua química poderá apresentar, que não encontra análogos entre os elementos mais leves do grupo. O estado +5 será um pouco oxidante e similar ao do iodo.

.

.

O NERD DA QUÍMICA, Nova Venécia - ES

Categories: curiosidades

Post a Comment

Oops!

Oops, you forgot something.

Oops!

The words you entered did not match the given text. Please try again.

Already a member? Sign In

2 Comments

Reply biiia
9:18 AM on October 30, 2012 
ãããããn
???
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk'
Reply desconhecido
12:33 PM on February 1, 2014 
Entendi completamente, só que ao contrario